Construção e povoamento do repositório: experiência do Centro Hospitalar do Porto

Sempre que nos propomos realizar uma tarefa nunca sabemos o verdadeiro alcance das dificuldades que iremos encontrar. É assim em tudo na vida, e a construção e gestão do repositório não foge à regra. Antes de iniciar a nossa actividade as expectativas seriam de estarmos perante uma árdua tarefa, assim que a iniciamos verificamos que não nos enganamos, no entanto surgiram surpresas positivas. Para isso contribuiu o trabalho de pesquisa já realizado anteriormente na nossa instituição, a aplicação informática que serve de base ao repositório e a disponibilidade permanente demonstrada pela equipa do RCAAP.
Acima de tudo facilita se for elaborado um plano interno, constituindo-se uma equipa com funções definidas para cada elemento que a integra. No Centro Hospitalar do Porto (CHP) foi constituída uma equipa de 3 pessoas que se ocupam da gestão do seu repositório. Todas possuem permissão de administrador com atributos de gestão e depósito. Claro que não se dedicam a este projecto a tempo inteiro mas acumulam com as tarefas que já desempenhavam anteriormente.
Assim que a equipa do José Carvalho disponibilizou o layout do repositório a primeira tarefa do grupo foi organizá-lo em comunidades e colecções. Esta é uma das tarefas mais importantes pois constitui a base do repositório que estando bem estruturado irá, no futuro, facilitar o depósito dos documentos. Uma vez que o desenho desta estrutura interessa sobretudo à instituição, podendo constituir-se numa ferramenta adicional de monitorização da produção científica interna, foi alvo de um amplo debate dentro do Gabinete Coordenador da Investigação (GCI) do CHP. Chegado a um consenso iniciava-se a tarefa de criar a estrutura pretendida no repositório.
Foi nesta altura que surgiu a primeira surpresa positiva. A aplicação é muito intuitiva e fácil de trabalhar, mesmo para quem, como nós, apenas possui conhecimentos informáticos ao nível do utilizador. Criar as nossas comunidades e colecções constituiu-se assim uma tarefa bem mais fácil que o esperado, tanto mais que contamos com o auxílio da equipa do RCAAP que nos foi dando algumas sugestões, o que nos permitiu aperfeiçoar a estrutura.
Povoar o repositório é a tarefa em que actualmente estamos concentrados e constituirá o cerne da nossa actividade futura neste domínio. Procurar documentos científicos que estejam em condições de integrar o repositório é algo que não se realiza de ânimo leve pois implica muita pesquisa, persistência e muitas horas de empenho. Já o depósito dos documentos no repositório é simples e fácil de executar. Mais uma vez a aplicação informática revela-se “amigável”.
Tendo sido efectuado, recentemente, o levantamento dos artigos científicos publicados pelos profissionais do CHP desde 1988 estamos em condições de identificar uma boa parte dos documentos elegíveis para integrar o repositório. Este trabalho foi essencial pois permitiu-nos elaborar um plano de acção com base em dados concretos.
Nem todos os documentos estarão em condições de integrar o repositório. Depende da política sobre o auto-arquivo da editora da revista em que estão publicados. Neste domínio tem sido fundamental a consulta do Portal Sherpa Romeo, que nos tem permitido conhecer a politica de uma boa parte das revistas nas quais os nossos profissionais publicam. Num futuro próximo o projecto Blimunda virá também a constituir-se um instrumento importante, porque dará a conhecer a politica das revistas portuguesas neste domínio.
O povoamento do repositório tem sido certamente mais lento do que seria o nosso desejo, mas estamos a trabalhar, recorrendo a todas as ferramentas ao nosso dispor, para disponibilizar à comunidade científica, a partir do Portal RCAAP, um conjunto de documentos que lhe sejam úteis. Como diz a sabedoria popular “grão a grão enche a galinha o papo” e com o acumular de experiência o processo tornar-se-á seguramente mais rápido.
Actualmente, no seio das instituições de saúde, há a percepção que só poderão prestar bons cuidados às populações que servem, se dedicarem alguns dos seus esforços em actividades de I&D. Estas serão determinantes para a criação de áreas de excelência que não serão concebíveis sem um forte investimento nessas actividades dentro das instituições, com a constituição de equipas de investigação. Os repositórios institucionais serão uma ferramenta de suporte fundamental neste novo paradigma, pois permitirão tornar do domínio público a produção de cada uma delas, pelo que se prevê um desejo crescente das instituições de saúde em integrarem o projecto RCAAP.

José Manuel Pereira – Centro Hospitalar do Porto

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2 thoughts on “Construção e povoamento do repositório: experiência do Centro Hospitalar do Porto

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  2. Boa tarde

    Gostaria de os convidar a visitar o MELOR (Medical Learning Objects Repository) em http://gilt.isep.ipp.pt/melor

    Este repositório pretende ser um repositório temático para a área da saúde.

    Foi criado com o intuito de proporcionar aos profissionais da área da saúde a disponibilização e partilha dos seus recursos e baseia-se em DSPACE.

    Todos os profissionais da área, investigadores e alunos são convidados a colocar lá os seus recursos partilhando-os assim com as suas comunidades de interesse.

    O “povoamento” deste tipo de repositório não é uma tarefa simples, nomeadamente para uma Escola de Engenharia onde está sediado.

    Para o efeito, foram estabelecidas parcerias com algumas Universidades e Organismos na área. Já esta formalizado um convénio para ser usado por exemplo pela Faculdade de Medicina da Universidade Austral do Chile e pela RIITAM do México.

    A sua divulgação e generalização de uso será lenta. Esperamos porem a médio prazo poder disponibilizar recursos educativos e de investigação para a área da saúde.

    Para saber um pouco mais do projecto, convido-os a visitar o site:
    http://gilt.isep.ipp.pt/mlt

    Para aceder ao MELOR
    http://gilt.isep.ipp.pt/melor

    Cumprimentos

    António Vieira de Castro

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