Implementação do Plano S – reação do RCAAP e apelo à comunidade

Em Setembro de 2018, uma coligação de financiadores europeus designada  cOAlition S lançou o Plano S, uma iniciativa que visa acelerar a transição para o acesso aberto, definindo um objetivo – a partir de 2020 as publicações científicas resultantes de investigação com financiamento público devem ser publicadas em acesso aberto – e 10 princípios.

A publicação do Plano S deu origem a inúmeras tomadas de posição e reações, entre as quais a  “Posição de Portugal e da FCT em relação ao Plano S”, na qual a FCT manifestou apoio aos objetivos do Plano S, recomendando que a sua configuração e programa de implementação sejam discutidos a nível nacional e internacional, no sentido de, entre outros aspetos,  garantir a valorização das redes de repositórios existentes, aproveitando os recursos que integram e capitalizando o investimento realizado, e que os modelos de transição, nomeadamente através da “via dourada”, não reforçam a natureza monopolista no mercado editorial científico.

Posteriormente, em novembro de 2018, a cOAlition S tornou públicas orientações mais detalhadas sobre a implementação do Plano S, através da Guidance on the Implementation of Plan S, convidando toda a comunidade a dar parecer e enviar comentários até às 16H (de Portugal continental) do próximo dia 8 de fevereiro de 2019, através de um formulário de feedback.

As orientações sobre a implementação do Plano S clarificam o seu objetivo e âmbito  de aplicação – o Plano S visa o acesso aberto pleno e imediato a publicações de investigação financiada por fundos públicos -, e esclarecem que a conformidade com o Plano pode ser conseguida através da publicação em revistas de acesso aberto, do depósito em repositórios de acesso aberto, e ainda através da publicação em acesso aberto em revistas de assinatura (“acesso aberto híbrido”) ao abrigo de acordos transformativos. O documento inclui ainda uma secção com orientações técnicas e requisitos relativos a licenciamento e direitos de autor, revistas e plataformas, repositórios e acordos transformativos.

O RCAAP está ainda a ultimar uma tomada de posição sobre as orientações para a implementação do Plano S, que será tornada pública aqui, e enviada para a cOAlition S, através do seu formulário de feedback. Em síntese, nessa tomada de posição o RCAAP:

  1. Reafirma a posição de Portugal, através da FCT, de apoio aos objetivos do Plano S e manifesta a vontade e a capacidade do RCAAP de colaborar ativamente para a sua concretização;
  2. Congratula-se com o reconhecimento explícito das diferentes vias de cumprimento do Plano S, nomeadamente através do depósito de publicações em repositórios de acesso aberto;
  3. Considera positivo que a  cOAlition S reconheça explicitamente a importância de diversidade de modelos de publicação, nomeadamente sem recurso a APCs (Article Processing Charges) e esteja disponível para apoiar o estabelecimento de revistas, plataformas e infra-estruturas de acesso aberto;
  4. Acolhe favoravelmente a definição de requisitos para revistas, plataformas, repositórios e acordos transformativos, incluídos na secção “Technical Guidance and Requirements”. No entanto, apesar da concordância genérica com muitos desses requisitos, o RCAAP expressa preocupações e discordâncias com vários aspetos e  apresenta algumas recomendações, nomeadamente:
    1. Tal como estão presentemente formulados, os requisitos técnicos são demasiado exigentes o que pode resultar em que apenas os grandes editores e os grandes repositórios bem financiados se tornem conformes com o Plano S. Nesse sentido, o RCAAP concorda genericamente com a resposta da Confederação de Repositórios de Acesso Aberto – COAR’s response to draft implementation requirements in Plan S –  sugerindo que vários dos requisitos técnicos sejam alterados e clarificados, se transformem em recomendações ou sejam abandonados e substituídos;
    2. O RCAAP recomenda que, à semelhança do estabelecido para as revistas, para a conformidade dos repositórios sejam definidos “Critérios básicos obrigatórios” e “Critérios adicionais recomendados”.
    3. O RCAAP recomenda que, à semelhança do que acontece com os acordos transformativos, se estabeleça uma estratégia incremental na aplicação de requisitos técnicos em repositórios, estabelecendo um período de transição, com prazos e objetivos definidos, para o cumprimento de todos os requisitos;
    4. Finalmente, o RCAAP recomenda que, para a definição da versão final das orientações de implementação, nomeadamente no que diz respeito aos requisitos técnicos,  a cOAlition S consulte os especialistas e as suas organizações representativas (como a COAR, a OASPA e outros);

Para além da posição que o RCAAP irá transmitir, apelamos a toda a comunidade RCAAP para que se envolva neste processo de consulta pública, enviando comentários, opiniões, sugestões e recomendações, desejavelmente alinhadas com as tomadas de posição da FCT e do RCAAP,  em nome individual ou das instituições que representam, até ao próximo dia 8, às 16H de Portugal continental.

Post escrito por: Eloy Rodrigues – Universidade do Minho

Próxima geração de repositórios institucionais: chamada para comentários públicos

A Confederação de Repositórios de Acesso Aberto (COAR) anuncia a publicação dos resultados iniciais do Grupo de Trabalho COAR Next Generation Repositories para comentários públicos.

coarEm abril de 2016, a COAR lançou um grupo de trabalho para identificar novas funcionalidades e tecnologias para os repositórios e desenvolver mecanismos para a sua adoção.

O objetivo é posicionar os repositórios como a base para uma infraestrutura distribuida, globalmente em rede para a comunicação académica, acrescentando serviços de valor acrescentado, transformando o sistema, tornando-o mais centrado na pesquisa, aberto e apoiante da inovação.

Subjacente a essa visão está a ideia de que uma rede distribuída de repositórios pode e deve ser uma poderosa ferramenta para promover a transformação do ecossitema, ou seja, a comunicação académica. Neste contexto, os repositórios permitirão o acesso a artigos publicados com uma ampla gama de informação, além de publicações tradicionais, tais como documentos de trabalho, imagens, entre outros.

O grupo de trabalho apresenta 12 testemunhos de utilizadores que deliniaram funcionalidades para os repositórios, os quais recomendamos, vivamente, que consultem e comentem: nextgenrepo.coar-repositories.org

Pretende-se ter um feedback generalizado da comunidade, pelo que, todos os comentários são importantes!

Os comentários ao público estão abertos de 7 de fevereiro a 3 de março de 2017.

COAR-SPARC: Conferência 2015

AS INCRIÇÕES TERMINAM JÁ NO PRÓXIMO DIA 06 DE ABRIL

Irá decorrer nos próximos dias 15 e 16 de abril de 2015, no Porto, a conferência COAR-SPARC, tendo por mote: ligar resultados de investigação, construir comunidades, abrir o conhecimento.

COAR-SPARC2015

A organização está a cargo dos membros COAR (Confederation of Open Access Repositories) e SPARC (Scholarly Publishing and Academic Resources Coalition), Universidade do Porto e Universidade do Minho.

Prevê-se que o encontro ofereça um programa aliciante, com oradores de todo o mundo, no qual se pretende discutir as oportunidades e desafios para os repositórios / bibliotecas no contexto da ciência aberta e de conteúdos abertos, quer numa visão geral dos desenvolvimentos mais importantes, quer em sessões pragmáticas com tentativa de redefinir os papéis dos responsáveis numa época de fluxo constante.

Esta conferência tem como público-alvo bibliotecários, gestores de repositórios, investigadores, agências de financiamento, estudantes e todos os que se interessam por estas temáticas.

Como as inscrições são limitadas, pagas e com valores superiores depois do dia 13 de março, inscreva-se já!!!

Para mais informações visite o website COAR e SPARC.

Notícias da Confederation of Open Access Repositories (COAR)

COAR

Realizou-se nos dias 21 e 22 de março de 2014, em Roma, uma reunião do COAR (Confederation of Open Access Repositories). O encontro reuniu representantes de Austrália, Canadá, China, Europa, América Latina e Estados Unidos.

Desta reunião  destaca-se a importância de se criar uma infraestrutura global, para além das fronteiras geográficas. Contudo, tem vindo a realizar-se um esforço geral para a criação de redes de repositórios que permitem o acesso a conteúdos de investigação como artigos e dados. São uma importante fonte de informação para governos, agências de financiamento e instituições para que se perceba o impacto da investigação financiada por estes organismos.

As redes de repositórios regionais representam os contextos locais e diferem muitas vezes entre elas. Conseguir um alinhamento destas redes irá permitir a troca de informação e de dados, melhorando o acesso aos conteúdos entre as regiões e permitindo extrair o máximo de valor dos resultados da investigação.

É neste contexto que se irá realizar nos próximos dias 21 e 22 de maio, em colaboração com o OpenAIRE , no Museu da Acrópole em Atenas, o Encontro Anual do COAR que irá centrar-se nas formas como as infraestruturas de Acesso Aberto estão a ser implementadas em todo o mundo.

As sessões irão focar-se na interseção entre os repositórios e as bibliotecas, incluindo os serviços que estas podem prestar aos investigadores.

1ª Assembleia Geral do COAR

Realizou-se no dia 2 de Março de 2010, na Faculdade de Ciências da UNED Madrid a 1ª Assembleia Geral do COAR – Confederation of Open Access Repositories (http://coar-repositories.org/). Esta organização pretende promover e apoiar a expansão do Open Access através do desenvolvimento de normas e recomendações internacionais de interoperabilidade, advogando políticas de Open Access de organismos financiadores e instituições e trabalhando para aumentar as taxas de depósito e auto-arquivo nos repositórios.

Dos principais pontos da Assembleia Geral destaca-se a discussão e aprovação dos estatutos da associação, do tipo de membros e respectiva quota e ainda a apresentação do plano estratégico e orçamento para 2010. A assembleia foi viva e intensa já que nela participaram representantes de várias instituições de todo o mudo com papéis relevantes para o movimento de Open Access.

Portugal esteve representado pela FCCN (João Moreira), Universidade do Minho (Eloy Rodrigues) e pela Universidade do Porto (Eugénia Fernandes). Esperamos que este número venha a aumentar nos próximos meses.

COAR: uma nova organização para promover o Open Access

Signatários da fundação da COARFoi hoje formalmente constituída, em Gent na Bélgica, uma nova organização para promover o acesso livre à literatura científica: COAR –  Confederation of Open Access Repositories.

A nova organização pretende promover e apoiar a expansão do Open Access através do desenvolvimento de normas e recomendações internacionais de interoperabilidade, advogando políticas de Open Access de organismos financiadores e instituições e trabalhando para aumentar as taxas de depósito e auto-arquivo nos repositórios.

A COAR foi fundada hoje de manhã, com a assinatura formal da constituição e a realização de uma primeira Assembleia Geral (onde foi eleito o primeiro Executive Board), por 28 organizações interessadas e activas no domínio do Open Access, de vários países europeus, bem como do Canadá, China, Estados Unidos e Japão.

Entre os 28 fundadores da COAR contam-se as duas organizações portuguesas com responsabilidade executiva no projecto RCAAP: a Fundação para a Computação Científica Nacional e a Universidade do Minho.

A Confederation of Open Access Repositories irá agora procurar alargar significativamente o número dos seus membros e estabelecer um plano de trabalho para o próximo ano. Certamente voltará a ser tema de outros posts neste blog.